A descrença da população nas promessas de melhorias e reformas evidencia o desgaste significativo do cenário político brasileiro. À medida que nos aproximamos das eleições de 2026, os brasileiros enfrentam diariamente uma realidade de dúvida e apreensão em diversos meios de comunicação sobre a situação política do país.
De acordo com pesquisa do DataSenado de 2024, um terço dos brasileiros está insatisfeito com a democracia, enquanto 47% se consideram "pouco satisfeitos"
. Além disso, uma pesquisa do AtlasIntel indica que 82% dos entrevistados manifestam desconfiança no Congresso Nacional
. Esses dados refletem uma crescente desconfiança nas instituições políticas e democráticas do país.
Em relação à filiação partidária, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou, em junho de 2023, um total de 15.798.227 eleitores filiados a partidos políticos no Brasil
. No entanto, a participação de jovens permanece baixa; estatísticas de 2023 revelam que apenas 1% dos eleitores com até 24 anos estão filiados a alguma agremiação partidária
.
Nesse contexto, a política muitas vezes é percebida como um meio de enriquecimento rápido, com indivíduos buscando cargos públicos para benefício próprio. Essa percepção é reforçada por um sistema governamental frequentemente associado à corrupção. A esperteza é valorizada, levando a juventude a acreditar que práticas desonestas podem ser recompensadoras, enquanto a honestidade não traz benefícios e pode resultar em pobreza.
A imagem desgastada e sem credibilidade dos políticos brasileiros torna as propostas de reforma política insuficientes para resolver os problemas acumulados ao longo dos anos. Como ilustrado no livro bíblico de Ezequiel, onde um vale de ossos secos representa a ausência de esperança, o cenário político atual demanda não apenas reformas, mas uma verdadeira "ressurreição" política.
A velha política, embora desgastada, permanece astuta. Debates sobre reformas muitas vezes parecem focar na garantia de mandatos e no fortalecimento de interesses próprios, com propostas legislando em causa própria. No entanto, a culpa pela situação atual não recai apenas sobre as leis, mas também sobre aqueles que as elaboram.
O Brasil necessita de uma reforma do "ser político", uma transformação que resgate a essência do serviço público como um compromisso com a sociedade, e não como um meio de enriquecimento pessoal. Isso requer o estabelecimento de critérios claros para o perfil de políticos, parlamentares, ministros, gestores e do próprio presidente. Para que essa ressurreição política seja bem-sucedida, é fundamental avaliar se é possível revitalizar os políticos atuais ou se é necessário preparar uma nova geração, planejando adequadamente esse período de transição.
Além disso, essa transformação deve servir como catalisadora para a reforma do "ser eleitor". A verdadeira mudança ocorrerá quando todos revisarem seus próprios conceitos, refletirem sobre em quem votar e os motivos por trás de suas escolhas, reconhecendo a importância de exercer seu direito como cidadãos conscientes. Somente assim será possível reconstruir a imagem dos representantes públicos e do governo no Brasil.
(*) – Formado em Ciências Econômicas na Universidade Bar-llan, em Israel, fez mestrado e doutorado em Filosofia, pela USP. É diplomado Rabino pelo Rabinato chefe de Israel, em Jerusalém e responsável pela sinagoga Ohel Yaacov, situada no Jardins também conhecida como sinagoga da Abolição.